Daniela Cássia Barbosa de Freitas
Há quatro mil anos antes a.C., nossos antepassados já sentiam a necessidade de registrar, através de desenhos rústicos, seu cotidiano, suas vidas e suas crenças. Com o passar do tempo, essa pintura rústica e os registros começaram a tomar forma de escrita.
O ser humano, seduzido pela necessidade natural de comunicação, bem como o desejo de repassar os conhecimentos às gerações seguintes, demonstrou interesse por entender e decifrar os registros primitivos. Neste cenário, tanto a escrita como a leitura despontou como uma das necessidades básicas das pessoas, e sempre esteve presente em nossas vidas como um dos fatos mais importante e marcante da história.
Um dos exemplos sobre a importância e necessidade da escrita pode ver no filme “Narradores de Javé” dirigido por Eliane Caffé, que mostra os moradores de Javé sendo ameaçados por extinção, pois as pessoas que ali habitam não tem nada por escrito que comprovem sua existência, principalmente o registro de terras, porque lá, para eles tudo se acredita através da oralidade.
Hoje, diante de novas tecnologias de comunicação fica difícil sobreviver em um mundo isolado como o de Javé, pois sabemos que a evolução do conhecimento e a modernização tecnológica através da globalização trouxeram ganhos importantes, em nossas vidas, e nem é possível atribuir culpa à coisas tidas como inevitáveis, até porque elas somam ao invés de diminuir (letramento) etc.
Conscientizarmo-nos da existência desses acontecimentos e entendê-los é o primeiro passo para buscarmos a reversão da situação apresentada.
Por esse motivo entrevistei duas pessoas que moram na cidade de São Paulo, sobre a importância da escrita para sua vida.
Primeiro foi a Maria da Silva Souza, que tem trinta e nove anos. Ela morava na cidade de Conquista no estado da Bahia e está morando em São Paulo há treze anos.
Estudou somente o primeiro ano, á dezessete anos atrás, no qual não foi suficiente para se quer decifrar uma palavra (não praticava o que tinha aprendido e esqueceu tudo, até as vogais).
Comunica-se através de telefone, mesmo assim sempre precisa de alguém para ajuda – lá e antigamente se comunicava por cartas e também precisava de ajuda tanto para o envio quanto para escrevê-las, ela questionou que: “quando preciso dessa ajuda as pessoas ficam sabendo sobre minha vida”, na qual ela não gosta, pois não são só as cartas, mas também receitas médicas e participação de capacitação do seu trabalho (dinâmica escrita) etc.
Maria sempre sente a falta da escrita, mas a ocupação do tempo em sua vida não a possibilita estudar, porque sempre precisou ajudar a família desde pequena e hoje tem filhos, lar para cuidar e a distância do seu trabalho toma muito tempo para ir e chegar a sua casa.
Observa-se que ela é uma pessoa que identifica símbolos, apresenta dificuldades de dialetos, mantém seu sotaque regional e todas as vezes que precisa da escrita necessita de ajuda. Sabe escrever seu nome, porém decorado, pois isoladamente não consegue identificar uma letra se quer (próprio nome).
O segundo entrevistado é o senhor Rodrigues Alves de Limeira (todos o chama de Rodrigo), morava na cidade de Alagoas no estado de Maceió, ele tem quarenta anos, sempre foi trabalhador de roça e atualmente e auxiliar de serviços gerais.
Também se comunica por telefone, antes era através de cartas e precisava da ajuda dos familiares, até hoje quando precisa ler uma correspondência, ou enviar, ele pede ajuda.
Segundo Rodrigues “a escrita faz falta agora, mas antes não fazia, principalmente para arrumar trabalho, porque tudo exige estudo, até para ser gari”.
Tem vontade de estudar, mas o tempo não ajuda. Identifica números, aprendeu a escrever seu nome (decorado) e de forma isolada não consegue identificar uma letra ou sílaba do próprio nome.
Portanto a escrita, a leitura como a educação em geral (saber escrever ou ler revista, jornal, folhetim, literatura, tevê, internet, telefone ou carta) é exercício da democracia, temos que estar cientes não só de novos deveres, mas também de nossos direitos (filme: “Narradores de Javé”), para assim podermos fazer parte da vida política e social do país em que vivemos.
PS: O senhor Rodrigues antes de aprender a escrever seu nome (decorado), ele só usava as digitais do dedão para identificá-lo, porém em um dos momentos da sua entrevista ele disse “mas pra que falar do uso do dedão”, ou seja, demonstrou que não gostava dessa necessidade.
O ser humano, seduzido pela necessidade natural de comunicação, bem como o desejo de repassar os conhecimentos às gerações seguintes, demonstrou interesse por entender e decifrar os registros primitivos. Neste cenário, tanto a escrita como a leitura despontou como uma das necessidades básicas das pessoas, e sempre esteve presente em nossas vidas como um dos fatos mais importante e marcante da história.
Um dos exemplos sobre a importância e necessidade da escrita pode ver no filme “Narradores de Javé” dirigido por Eliane Caffé, que mostra os moradores de Javé sendo ameaçados por extinção, pois as pessoas que ali habitam não tem nada por escrito que comprovem sua existência, principalmente o registro de terras, porque lá, para eles tudo se acredita através da oralidade.
Hoje, diante de novas tecnologias de comunicação fica difícil sobreviver em um mundo isolado como o de Javé, pois sabemos que a evolução do conhecimento e a modernização tecnológica através da globalização trouxeram ganhos importantes, em nossas vidas, e nem é possível atribuir culpa à coisas tidas como inevitáveis, até porque elas somam ao invés de diminuir (letramento) etc.
Conscientizarmo-nos da existência desses acontecimentos e entendê-los é o primeiro passo para buscarmos a reversão da situação apresentada.
Por esse motivo entrevistei duas pessoas que moram na cidade de São Paulo, sobre a importância da escrita para sua vida.
Primeiro foi a Maria da Silva Souza, que tem trinta e nove anos. Ela morava na cidade de Conquista no estado da Bahia e está morando em São Paulo há treze anos.
Estudou somente o primeiro ano, á dezessete anos atrás, no qual não foi suficiente para se quer decifrar uma palavra (não praticava o que tinha aprendido e esqueceu tudo, até as vogais).
Comunica-se através de telefone, mesmo assim sempre precisa de alguém para ajuda – lá e antigamente se comunicava por cartas e também precisava de ajuda tanto para o envio quanto para escrevê-las, ela questionou que: “quando preciso dessa ajuda as pessoas ficam sabendo sobre minha vida”, na qual ela não gosta, pois não são só as cartas, mas também receitas médicas e participação de capacitação do seu trabalho (dinâmica escrita) etc.
Maria sempre sente a falta da escrita, mas a ocupação do tempo em sua vida não a possibilita estudar, porque sempre precisou ajudar a família desde pequena e hoje tem filhos, lar para cuidar e a distância do seu trabalho toma muito tempo para ir e chegar a sua casa.
Observa-se que ela é uma pessoa que identifica símbolos, apresenta dificuldades de dialetos, mantém seu sotaque regional e todas as vezes que precisa da escrita necessita de ajuda. Sabe escrever seu nome, porém decorado, pois isoladamente não consegue identificar uma letra se quer (próprio nome).
O segundo entrevistado é o senhor Rodrigues Alves de Limeira (todos o chama de Rodrigo), morava na cidade de Alagoas no estado de Maceió, ele tem quarenta anos, sempre foi trabalhador de roça e atualmente e auxiliar de serviços gerais.
Também se comunica por telefone, antes era através de cartas e precisava da ajuda dos familiares, até hoje quando precisa ler uma correspondência, ou enviar, ele pede ajuda.
Segundo Rodrigues “a escrita faz falta agora, mas antes não fazia, principalmente para arrumar trabalho, porque tudo exige estudo, até para ser gari”.
Tem vontade de estudar, mas o tempo não ajuda. Identifica números, aprendeu a escrever seu nome (decorado) e de forma isolada não consegue identificar uma letra ou sílaba do próprio nome.
Portanto a escrita, a leitura como a educação em geral (saber escrever ou ler revista, jornal, folhetim, literatura, tevê, internet, telefone ou carta) é exercício da democracia, temos que estar cientes não só de novos deveres, mas também de nossos direitos (filme: “Narradores de Javé”), para assim podermos fazer parte da vida política e social do país em que vivemos.
PS: O senhor Rodrigues antes de aprender a escrever seu nome (decorado), ele só usava as digitais do dedão para identificá-lo, porém em um dos momentos da sua entrevista ele disse “mas pra que falar do uso do dedão”, ou seja, demonstrou que não gostava dessa necessidade.

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